Depois do deboche, o ataque: #InvestigarJeanWillis

Crônicas da vida real | Por Adriana Bezerra | 3 semanas atrás | 365 |

O que faz um presidente quando um deputado legitimamente eleito é obrigado a renunciar ao mandato e sair do País em função de ameaças de morte?

Se solidariza?

Manda investigar?

Se o presidente é Jair Bolsonaro, nenhuma das alternativas.

A opção do nosso presidente foi o deboche.

“Grande dia!”, tuitou Bolso.

Depois de passar recibo de sua infantilidade odienta, tentou remendar:

Estava se referindo ao dia em Davos.

Não deve ser.

Nada, na passagem de Jair Bolsonaro e comitiva pelo fórum econômico, tem dimensão de grandeza.

Dólar subiu, real caiu, chineses quebraram contratos de importação de carne de frango.

Empresários, imprensa e líderes políticos se escandalizaram com o despreparo do novo presidente da oitava maior economia do mundo.

E no Day after ao anúncio de Jean Wyllys, o bolsonarismo provou mais uma vez sua falta de limites ao propagar nas redes sociais suposto envolvimento do deputado com o atentado sofrido por Jair em sua campanha.

Wyllys não estaria fugindo da morte. E sim da autoria de uma tentativa de assassinato.

A hashtag #InvestigarJeanWillis já ocupa o primeiro lugar no trends do Twitter, com simpatizantes do presidente despejando ódio, ironias e teorias de conspiração ligando o PSOL de Wyllys com o extremista Adelio Bispo.

A impressão inicial é que atingimos o fundo do poço.

Mas ao vigésimos quinto dia do Brasil de Bolsonaro estamos descobrindo que, aparentemente, esse poço não tem fundo.