Do olhar sertanejo de Cartaxo, redescobrimos João Pessoa

Crônicas da vida real | Por Adriana Bezerra | 4 meses atrás | 222 |

Ontem, Cassino da Lagoa, 14h30. Fome exigente, olhar concentrado na famosa farofa de ovos da casa.

Do prato ao lado, o colega-amigo Heron Cid solta:

– Meu Deus, a gente mora numa cidade linda!

Além do paredão de vidro do Cassino, a Lagoa do Parque Solon de Lucena se exibia realmente plena, realçada pelo dia chuvoso – e pelo fim de um longo período de esquecimento.

Naquele momento, senti muito orgulho de nosso mais clássico (e belo) cartão postal.

E por mais que me embarace o link entre este orgulho e as ações políticas, seria pouco generoso não reconhecer que Luciano Cartaxo caminha para a última etapa de seu ciclo de gestão deixando um legado expressivo em áreas em que o tempo, o vento e a omissão haviam desgastado na capital histórica dos paraibanos.

Revitalizando, reconstruindo, despindo as capas de esquecimento e nos permitindo enxergar, de novo, uma João Pessoa realmente muito bela.

É uma fina e grata ironia que os olhos sertanejos de Cartaxo tenham conseguido ver além da deterioração, resgatando o centro da Capital do limbo.

E permitindo que os pessoenses façam as pazes com a sua própria história.

O Parque Solon de Lucena talvez seja sua intervenção mais vistosa.

Mas figura numa lista farta de ações que resgatam um dos mais expressivos e importantes sítios históricos da América Latina, patrimônio nacional do mundo, reunindo em 37 hectares um conjunto arquitetônico eclético – do barroco a art-déco, com predominância colonial.

Numa João Pessoa que olha tanto pro mar, Cartaxo decidiu voltar às origens – e da Vila Sanhauá à Beira Rio, vai linkando passado e presente, nos legando uma possibilidade mais otimista de futuro dentro de uma cidade realmente sustentável.

Estou muito generosa?

É possível.

A culpa é da Lagoa.

E do orgulho danado que sinto de João Pessoa – e do qual tantas vezes esqueço.

Mas o novo Parque da Lagoa me fez ontem lembrar.