E haja estopim para manter o caos

Crônicas da vida real | Por Adriana Bezerra | 2 semanas atrás | 102 |

O filósofo e professor da Unicamp Marcos Nobre, em entrevista concedida recentemente ao jornal El País, fez análise interessante sobre a eleição de Jair Bolsonaro:

“Foi o candidato do colapso e precisa dele para se manter no poder”.

Isto talvez explique a fartura de munição oferecida na montagem do novo governo, com fusões e extinções que certamente funcionarão como estopim de conflitos.

Com sete ministérios a mais do que havia prometido em campanha, custava, por exemplo, manter o do Trabalho num instante brasileiro de recorde de desemprego e nova legislação trabalhista?

Ou deixar a Funai sob o manto da Justiça ao invés de migrá-la para a Agricultura, onde ruralistas salivam sobre as reservas indígenas?

O desenho do caos é fácil de ser traçado: a futura ministra Tereza Cristina, ela própria uma liderança ruralista, sendo obrigada a definir sobre demarcações e ser palavra decisiva sobre conflitos entre índios e latifundiários?

Se  é de caos que Bolsonaro precisa, verdade seja dita: a demanda está sendo régia e generosamente provida.