Igreja revelada: Dom Delson faz admissão de culpa?

Crônicas da vida real | Por Adriana Bezerra | 1 semana atrás | 115 |

Primeiro ele silenciou.

Depois atacou quem expôs os segredos íntimos – e pecaminosos – das sacristias.

Agora, Dom Manoel Delson, arcebispo da Paraíba, faz a admissão de culpa.

Seu decreto, baixado na última quarta-feira, proibindo padres de ficarem sozinhos com menores e adultos vulneráveis, é uma das medidas mais constrangedoras – e reveladoras – desde que a Igreja se viu obrigada a rasgar a batina e expor seus pecados.

Grita, dolorosamente, suspeita explícita de que os pastores abatiam seus rebanhos.

O decreto de Dom Delson é – cristalinamente – uma medida desesperada. E – sem dúvida – bem intencionada de reprimir a lascívia de seus anjos caídos.

Uma tentativa de afastar e secar o cálice da tentação.

Uma versão canônica da castração química.

Mas é inócua.

Proibir padres de estarem sozinhos com menores nas igrejas, casas e carros paroquiais, além de acender holofote sobre o ambiente íntimo do confessionário, não é freio seguro para a sanha pedófila de sacerdotes.

Em compensação, instaura uma crise que nossos bons pastores só poderão buscar em Deus – e em Seu infinito poder – instrumentos para neutralizar.

Porque, com suas boas intenções, Dom Delson sinalizou para o rebanho:

Nenhum de nós merece confiança.

Com que constrangimento padres desfiarão, a partir daqui, suas homilias?

Como evangelizar com esse nível de desconfiança?

Como desempenhar o papel de padre/pai junto às famílias que foram orientadas, pela própria Igreja, a manter suas crianças a distância segura de seus mentores espirituais?

Envergonhada, a Igreja da Paraíba desautoriza o próprio Cristo.

Assumindo que não é confiável para manter as portas abertas para o sublime “vinde a mim as criancinhas”.