Quem precisa saber falar português?

Crônicas da vida real | Por Adriana Bezerra | 2 semanas atrás | 151 |

A grande maioria dos estudantes brasileiros na reta final do ensino médio – grande mesmo, algo em torno de 90% – não aprendeu a converter uma medida dada em metro para centímetros. E 88% não conseguem identificar a idéia focal de uma crônica.

Este é o duro cenário descortinado em exames feitos pelo Governo Federal para avaliar e compor o principal indicador de qualidade da educação no País, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Um quadro que se completa com a desvalorização dos professores.

Pesquisa da ONG Varkey Fundation, divulgada esta semana, avaliando a importância dada a professores em 35 países, traz o Brasil em trigésimo quinto lugar.

Sim, é isso mesmo: lanterna isolada no ranking, rabeira das rabeiras, também conhecido como último lugar.

Não são essas deficiências, porém, que estão no foco das muitas linhas escritas, e tantas prosas despejadas, pelo futuro ministro da Educação Ricardo Velez Rodrigues.

Dele não se ouve nada sobre evasão escolar ou semi-analfabetismos ou tampouco sobre como o Governo vai garantir o fluxo dos investimentos na área ao longo dos 20 anos de congelamento de gastos públicos.

Mas quem disse que ele foi pinçado pelo presidente eleito para resolver essas “miudezas”?

Problema real, para a tropa bolsomítica, é o terrível marxismo cultural, que misturado à ideologia de gênero e a “esquerdopatia” generalizada do magistério, estaria deformando os estudantes brasileiros.

E, cá pra nós, é razoavelmente compreensível que o novo governo esteja mais preocupado com viés ideológico do que com a qualidade do conteúdo que a educação pública disponibiliza em sala de aula.

Afinal, qual o problema do estudante brasileiro não saber falar português corretamente?

Ele também não fala e é o novo presidente do País.