Uma péssima hora para morrer

Crônicas da vida real | Por Adriana Bezerra | 6 dias atrás | 128 |

Padre Quevedo morreu.

A maioria da geração internet nem sabia que ele existia.

E o público dos anos 2000 – que acompanhava sua saga televisiva para desmascarar os picaretas da parapsicologia – já havia esquecido dele e do seu bordão “isso non ecziste”.

Por quase duas décadas, o pulso de Quevedo pulsou sem grandes emoções.

E logo agora, parou.

Quando ele teria agenda lotada de fenômenos para escarafunchar.

Aparições em pés de goiaba.

Surgimento de novo Messias.

Demônios e anjos – todos armados e assombrados com visões de socialistas e petistas em todo lugar.

Quevedo poderia até derivar da parapsicologia para uma “para-pseudo-ciência”, restabelecendo a verdade sobre verdades que julgávamos consagradas e universais como a forma redonda da Terra e sua órbita em torno do sol.

Sinceramente, Quevedo… que péssima hora para morrer!

Justo quando a gente mais precisava.

Quando sua existência alcançaria novo significado, muito além daquele que representava com ares soturnos e sapos de boca costurada no domingão do Fantástico.

Tantos truques para desmascarar.

Tantos véus de ilusionismo para rasgar.

Tantos enigmas para decifrar.

Incluindo o maior deles:

Como e por que o Brasil, pátria real oficial de Deus, passou a acreditar em tantos diabos falando em nome Dele?